Mapa do Comércio Exterior
Panorama do mercado de trabalho no Brasil

Sílvia Garcia, de São Paulo

As oportunidades de trabalho no mercado de Comércio Exte-rior têm-se mostrado cada dia mais promissoras. A balança comercial acaba de comemorar um superávit de US$ 24,831 bilhões, um recorde sem precedentes na história brasileira. Nesse saldo, o agronegócio teve participação expressiva, nada menos que US$ 30,639 bilhões exportados, o que representa 41,9% de tudo o que o País vendeu em 2003.

Nos últimos anos, o Brasil passou por um período de estagnação econômica e a balança comercial vinha acumulando sucessivos déficits. Nos anos 90, na era Collor, houve uma intensa abertura do mercado brasileiro para os produtos importados, em contrapartida não havia no País uma consciência de que o desenvolvimento da nação dependeria, em grande parte, da participação do Brasil no comércio internacional, ainda hoje uma participação muito tímida, que alcança pouco mais de um ponto percentual do comércio global.

Além disso, o mercado não havia se preparado tecnologicamente para competir no mesmo nível com os produtos interna-cionais que acabaram chegando ao País. Muitas empresas tiveram de rever suas estratégias, e outras, que não aguentaram a pressão, acabaram quebrando. São inúmeros os gargalos existentes que impedem um desenvolvimento mais contundente das exportações brasileiras, entre eles o Custo Brasil, que barra a competitividade. O maior deles, sem dúvida alguma, é a carga tributária que atinge 35% do PIB.

PARA OS CARGOS EXECUTIVOS MAIS ALTOS, A FLUÊNCIA DO INGLÊS PODE REPRESENTAR REMUNERAÇÃO 4,6 VEZES MAIOR EM RELAÇÃO AOS QUE NÃO FALAM INGLÊS.

Entretanto, desde o brado "Exportar ou Morrer" do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o empresariado, que já passava por um processo de conscientização de que não bastaria apenas importar produtos de outros países para adequar tecnologicamente o parque industrial brasileiro, acabou comprando a idéia de que era necessário também buscar a penetração de produtos brasileiros no mercado internacional e agregar cada vez mais valor a esses produtos, buscando inclusive desenvolver a Marca Brasil, começando, então, no País, uma onda em prol das exportações brasileiras.

Dois ministros do governo anterior merecem aqui ser lembrados pela grande contribuição que deram ao País: Marcus Vinícius Pratini de Moraes e Sérgio Amaral. O primeiro, ex-ministro da Agricultura, um dos maiores defensores do agronegócio brasileiro e de sua participação no comércio internacional em patamar de igualdade às nações desenvolvidas. Graças ao seu brilhante trabalho, hoje o Brasil está entre os melhores do mundo. O segundo, o ex-ministro do Desenvolvimento, Comércio e Indústria, que introduziu no País a idéia de buscar mercados poucos tradicionais, com vistas a sair da dependência dos Estados Unidos e da União Européia. Foi já no governo de FHC que surgiram os primeiros superávits.

O legado deixado por Fernando Henrique Cardoso foi de suma relevância para o momento que vive agora o comércio exterior brasileiro, não apenas em termos de superávits, mas especialmente por sua participação no cenário internacional, pelas relações diplomáticas e por uma visão mais globalizada de mundo.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva vem dando continuidade à política de comércio internacional, deixada por FHC, fortalecendo cada vez mais o ideal de aumentar expressivamente as exportações brasileiras, mas também de não conter de forma castradora as importações, como ocorreu no governo anterior. Acredita-se que o equilíbrio real do comércio internacional dê ao País o desenvolvimento tão sonhado. Uma das expectativas do governo Lula é que a área de comércio exterior seja a responsável pela geração de grande número de empregos. Ao que tudo indica, as profissões relacionadas a essa área serão a bola da vez.

Luiz Fernando Furlan, atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, espera atingir, no ano de 2006, US$ 100 bilhões de exportações e vem criando uma série de medidas que deverão contribuir para esse número, entre elas o apoio a micro, pequenas e médias empresas, seguindo um modelo semelhante ao da Itália, onde tais empresas são responsáveis por grande parte das exportações.

O fato é que, com essa meta, o mercado de trabalho há que ampliar muito seu leque de oportunidades e, evidentemente, a demanda de profissionais. Atualmente, o mercado já apresenta perspectivas bastante animadoras para aqueles que sonham ingressar na área.

A Catho Consultoria em RH desenvolveu uma pesquisa especialmente para o EstudeComex e constatou que essa é uma área relativamente elitizada. Para se ter idéia, o salário de um diretor de exportação no Brasil é de aproximadamente R$ 15 mil, enquanto um diretor de exportação e importação ganha entre R$ 10 a 12 mil.

Boa parte desses profissionais tem formação superior e domina pelo menos dois idiomas (espanhol e inglês), porém são muito desejáveis cursos de pós-graduação, MBA, mestrado e, se possível, doutorado. Os mestres nessa área somam apenas 2% e estão distribuídos em funções como diretores, gerentes, supervisores e consultores. Já os doutores somam apenas 0,29% e estão ocupando cargos de direção. Todavia, esse número tende a aumentar conforme as novas exigências desse mercado.

O Comércio Exterior ainda é uma área dominada pelo sexo masculino. Apenas 38% são mulheres e atuam em funções de auxiliares, assistentes e estagiárias. Geralmente, elas ganham até R$ 796 menos que os homens.

APENAS 38% SÃO MULHERES E ATUAM EM FUNÇÕES DE AUXILIARES, ASSISTENTES E ESTAGIÁRIAS. GERALMENTE, ELAS GANHAM ATÉ R$ 796 MENOS QUE OS HOMENS.

Nessa pesquisa da Catho, um dado muito relevante foi apontado: a fluência da língua inglesa tem forte influência na remuneração dos executivos especialmente em Comércio Exterior, porém somente 47,6% dos profissionais pesquisados declaram falar inglês com fluência. Para os cargos executivos mais altos, a fluência do inglês pode representar remuneração 4,6 vezes maior em relação aos que não falam inglês. A fluência da língua representa uma remuneração de pelo menos 50% maior para a vida profissional. Acredita-se que se esmerar na fluência desse idioma é uma boa estratégia para se dar bem nesse mercado.

Na seção Pesquisa de Mercado do EstudeComex, estão disponibilizados todos os resultados dessa pesquisa. Também é possível encontrar neste guia a opinião de especialistas sobre várias carreiras relacionadas ao Comércio Exterior, entre elas logística, trader, diplomacia, advocacia, portos, despachante aduaneiro etc.

O comércio exterior pode estar esperando por você, basta descobrir sua real vocação e enveredar pelas trilhas de uma dessas carreiras. O resultado pode ser você se tornar um profissional top de linha.