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Os
caminhos da Globalização
Dirceu M. Coutinho Pela minha constante convivência com a globalização, fui "escalado" para definir aqui que é essa coisa, que todo mundo fala, mas pouca gente sabe o que significa. Atualmente, em qualquer pronunciamento, para você mostrar conhecimento e confirmar que é moderninho, tem que falar em globalização. Algum sócio já desfez uma sociedade porque entendia que, na era da globalização, a empresa tinha que possuir um avião. E o outro, mais conservador, não concordava. E a sociedade se desfez. A globalização também já causou divórcio… A esposa se queixava de que o marido viajava muito. E o marido justificava: é por causa da globalização, acrescentando: numa economia globalizada, a gente tem que estar em vários lugares, quase ao mesmo tempo. Senão, perde a concorrência. Ou então não é lembrado ou não fica sabendo das coisas… Alguns publicitários gostam de explorar a globalização. É ponto de apoio para o cliente aprovar a campanha que ele criou e que deve render bons dividendos para sua agência. Quando digo ponto de apoio, leia-se muleta. Mas, afinal o que é globalização? Pode ser tudo e pode ser nada. Sim, porque, a rigor, nada é sinônimo de tudo… Na verdade, tudo é uma evasiva, pois não esclarece nada. Tudo é resposta de preguiçoso. É resposta de quem não quer se comprometer. Eis a resposta mais simples e contundente para definir globalização: é a interdependência financeira entre as nações. Se quiser se estender: é a conjunção de forças poderosas, onde se destaca a tecnologia, que torna as nações interdependentes, financeiramente e economicamente. Então, globalização não é alguma doutrina ou filosofia que de repente algum governante resolve aceitar ou rejeitar. Já aconteceu numa palestra, que dei em faculdade, que um aluno me definiu globalização desta forma: "É uma manobra da Rede Globo de Televisão para aumentar a audiência". Na realidade, é uma palavra, que os americanos convencionaram chamar de globalização; os franceses, de mundialização; os japoneses, de desfronteirização. E assim por diante. As definições são tão variadas, que em meu livro "Entenda Globalização", da Edições Aduaneiras, consegui reunir mais de 100 respostas. Em cada página, ímpar, no rodapé tem uma definição diferente. Colecionei durante algum tempo. Tem até definição do papa João Paulo II. Quando escrevi aquele livro, encarei a questão de forma mais amena. Atualmente, entendo que globalização é uma palavra que o neoliberalismo usa para ocultar o avanço desta doutrina elitista. As manifestações populares internacionais que se sucedem, contra a globalização, na verdade são contra o capitalismo selvagem, ou seja, a doutrina neoliberal que quer esvaziar cada vez mais o poder do Estado, estimulando as privatizações, e deixando que a iniciativa privada comande as ações governamentais, conforme já acontece, em grande parte, nos Estados Unidos, sob o regime do Partido Republicano. No Brasil, embora em menor escala, o liberalismo econô- mico avançou muito durante o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Isso é resultado do famigerado "Consenso de Washington". Lamentavelmente, o governo do presidente Lula segue a mesma cartilha. Até quando?Em Tempo: Definição de globalização do respeitado economista francês François Chesnais: "Estamos diante de um novo modo de funcionamento sistêmico do capitalismo mundial ou, em outros termos, de uma nova modalidade de regime de acumulação". Dirceu M. Coutinho é autor dos livros Entenda de Globalização e
Globalizantes & Globalizados, jornalista e editor da Revista Integração
Econômica. |