| Mapa do Comércio Exterior |
A sofisticação dos meios de comunicação eleva a exigência de uma comunicação eficaz. Não estamos trocando espelhos por pedras preciosas. Nossas trocas atuais são muito mais complexas, são globais. E quase sempre em inglês. Para quem duvida é só dar uma olhada na diversidade de termos que encontramos no cotidiano do comércio exterior, como commodities, foreign exchange, letter of credit, bill of lading. E o que seria de nós sem o Incoterms, publicado pela Edições Aduaneiras? Quando penso na importância de se falar inglês para um profissional de comércio exterior a primeira coisa que vem a minha cabeça é o óbvio. Falar inglês, e mesmo outros idiomas, é hoje muito importante para todo e qualquer profissional. Vale para o administrador, o engenheiro, o médico, o advogado. Para o profissional que trabalha com importação e exportação, é imprescindível, vital – faz parte das competências básicas para uma atuação eficaz, como também são a capacidade de comercializar e os conhecimentos de logística, incentivos fiscais, legislação tributária. Lembro-me muito bem quando comecei a lecionar inglês em 1978. Eu, uma jovem americana, nascida no Brasil. Depois de ter ficado um tempo fora, ao voltar para cá achava que nós, os americanos, os ingleses, os australianos detínhamos a posse do idioma. Era uma visão no mínimo purista e ingênua. Hoje, o que vemos é o inglês global, que é de todos. Como já disse, a competitividade é implacável e imprime urgência e importância à comunicação em geral e particularmente àquela com pessoas de diferentes línguas, culturas, referências, ou seja, a comunicação em outros idiomas. Competimos com outros países e mercados e entre nós mesmos, já que exportar faz parte da agenda da maioria das empresas. Dentro dessa perspectiva, a competição exige de nós um grande foco na eficácia. Além disso, não só as grandes empresas estão prontas para exportar, mas também as pequenas e médias estão investindo em qualidade e se direcionando para o mercado externo com produtos têxteis, confecções, artefatos de madeira, móveis, entre outros. Temos que estar preparados para competir com todos. É tudo muito rápido e a comunicação não pode falhar. Na verdade, ela não pode ser apenas correta, ela tem que ter forte poder de argumentação, encantar e definir tomadas de decisão. Para uma boa negociação precisamos de uma comunicação efetiva, que nos diferencie. Não dá para convencer sem comunicar, seja em português, inglês, espanhol, alemão. Isso leva a um segundo ponto: a imagem. Imagine-se pedindo desculpas a cada frase por não se comunicar bem com seu cliente no exterior, reforçando sempre uma idéia de inferioridade, de incapacidade. Radicalizando, podemos questionar se isso não traz à mente do comprador, "estou falando com alguém de um país pobre, de terceiro mundo". Finalmente, o tempo é outro fator importante à competição. Não é possível perder oportunidades. Para toda a negociação existe um timing, não importa em que idioma, e ele varia de cultura para cultura. É por isso que o profissional de comércio exterior precisa falar inglês, mas precisa também conhecer culturas e costumes. Dentro desse contexto, a boa notícia para aqueles que ainda não têm uma comunicação fluente em inglês é que, apesar do desafio envolvido, essa é uma tarefa factível. O ensino do inglês conta cada vez mais com instrumentos modernos de aprendizagem. Há as aulas regulares, a Internet, os CDs, os DVDs, os livros, enfim, uma série de recursos que possibilitam o desenvolvimento do aluno. Para aqueles que têm urgência – vão assumir novas contas, viajar, participar de feiras, congressos – há também a opção de fazer uma imersão. Nesses anos de experiência no ensino de idiomas, pude ver muitos casos de executivos que venceram o desafio. O inglês deixou de ser um problema para ser um instrumento, um facilitador para se alcançar o sucesso. Isso acontece cada vez mais. Por outro lado, existem aquelas pessoas que, por razões diferentes, sentem-se estagnadas, não conseguem sair de um determinado estágio e, com isso, ficam desmotivadas. Para quem se sente assim, é muito importante escolher um método de ensino que o ajude a sair dessa situação. Há técnicas que possibilitam isso. É determinante para o participante que ele sinta sua evolução. Só assim terá fôlego para chegar um dia à fluência. Essa não é uma dificuldade isolada. É o problema de muitos. Por isso, aqui vão algumas sugestões de desenvolvimento da comunicação em inglês para profissionais e estudantes da área de comércio exterior:
• Pense na conquista do idioma como uma meta a longo prazo. Como primeiro passo, matricule-se já em um programa de inglês regular. Procure uma escola que enfatize a conversação e que trabalhe com grupos de até cinco pessoas. • Ao mesmo tempo procure ter bastante contato com atividades que comecem a lhe dar gosto pelo idioma. Navegue pela Internet em sites do seu interesse. Assista a programas em TV a cabo, ouça música em inglês. • Programe-se para viajar ao exterior. É importante não só aprender o idioma, mas conhecer os costumes e vivenciar a cultura. Não procure um curso nesta primeira viagem, antes procure se virar em situações básicas de comunicação. Sentir-se rodeado por pessoas que estão falando o idioma servirá de estímulo para seu aprendizado do idioma.
• Faça um programa de imersão para conseguir sair do nível básico. • Em seguida, procure um curso focado em comércio exterior, ou pelo menos na área de inglês para negócios, assim, o que você estiver aprendendo poderá ser aplicado de imediato em e-mails ou ligações internacionais. • Faça um plano de estudos e atividades em que você dedique pelo menos 30 minutos ao inglês em dias que você não tenha aula. Escolha um curso que tenha no mínimo três horas de aulas por semana. Se você já tiver certa fluência no idioma – um nível intermediário – mas sentir que sua compreensão é fraca, ou que lhe falta domínio gramatical, ou ainda que tem bons conhecimentos mas gostaria de poder falar com confiança: • Procure uma escola ou consultoria que possa fazer uma boa avaliação de seu nível lingüístico para complementar a sua auto-avaliação e lhe dar mais informações para direcionar os seus estudos. • Dedique-se ao estudo do idioma com afinco. Uma carga horária de 4,5 horas semanais poderá lhe levar a um nível de proficiência avançado em um a dois anos. Se você precisar do idioma em um prazo mais curto, quatro imersões de uma semana com carga horária de nove horas por dia poderão ser feitas em dois a quatro meses e surtir o mesmo efeito. • Procure um curso de inglês voltado ao comércio exterior para que seus estudos sejam o mais relevantes possível. • Não perca nenhuma oportunidade de usar o seu
inglês dentro e fora do âmbito profissional. E, finalmente, se você já tiver um nível lingüístico avançado e precisar manter esse domínio: • Procure uma escola que tenha instrutores nativos que saibam corrigir seus erros e ajudá-lo a preencher as lacunas nos seus conhecimentos. • Faça cursos com temas voltados à comunicação: apresentações, negociações, redação, em inglês. • Faça programas de comércio exterior em inglês. • Vá ao exterior. Se já tiver ido para a Europa, visite os Estados Unidos, se já tiver visitado os Estados Unidos, vá à Europa. Procure oportunidades para viajar a trabalho ou para cursos. • Faça tudo ao seu alcance para expandir o escopo de seu relacionamento com o idioma – leitura de revistas, jornais, livros sobre comércio exterior e ficção, Internet, filmes em DVD sem legenda etc. Tenha o hábito de ver noticiários, programas de TV, tudo em inglês – faça com que o contato com o inglês vire parte de sua vida. Seja qual for o seu caso, comece a resolver o seu problema o mais rápido possível, pois o mercado não irá esperar por você, nem as oportunidades. Elizabeth Browne
é diretora da Unique Language Center, centro de
treinamento em comunicação, e avaliações de
proficiência lingüística. A Unique atende profissionais
e suas famílias nos idiomas Português, Inglês e
Espanhol, trabalhando junto às empresas para desenvolver
soluções corporativas sob medida para cada necessidade.
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