EstudeComex – Conte-nos um pouco da história
da Organon.
Arthur Maertens – A Organon foi fundada em 1923, em Oss, Holanda.
Estamos no Brasil desde 1940, sendo uma das empresas farmacêuticas pioneiras
no País. Em 1969, com o intuito de unir forças em diversos setores, a
Organon juntou-se à Aku, Koninklijke & Zout, recebendo então a denominação
Akzo. Em 1994, surgiu a Akzo Nobel, com a aquisição da Nobel Industries,
e a Organon passou a contar com 160 empresas em todo o mundo e cerca de
68.000 funcionários. Nosso papel é oferecer uma qualidade de vida melhor,
por isso a empresa está sempre atenta às constantes mudanças, oferecendo
os mais atualizados produtos do mercado. Os processos industriais adotados
na Holanda são criteriosamente seguidos por suas filiais no mundo todo.
Conseqüentemente, os produtos fabricados no Brasil são exportados para
outros mercados. Mas não é só isso que nos torna diferentes: somos uma
companhia de pessoas felizes e procuramos passar essa felicidade aos nossos
parceiros. A Organon do Brasil tem como lema interno o slogan "Paixão
pelos Clientes". Como sabemos que não existe paixão sem respeito,
disponibilizamos um espaço com o maior número de serviços e de informações
atualizadas, de maneira transparente aos nossos clientes. Preocupados
com a inovação, nos propusemos a utilizar esse espaço como fonte de esclarecimento
nas áreas de contracepção, menopausa, depressão, ansiedade, insônia, anesteseologia
e infertilidade. Sabemos que o maior reconhecimento do nosso trabalho
é termos clientes felizes e satisfeitos com nossos produtos.
Na sua opinião, qual é o grande diferencial
da Organon?
Maertens – A empresa está há cinco anos consecutivos entre as 100
melhores, e, em 1º lugar, no setor farmacêutico. Em 2003, pela primeira
vez está entre as 10 melhores. O grande diferencial identificado pela
Revista Exame (autora do prêmio) é nossa constante busca por transparência,
ética, desenvolvimento de pessoas e um certo nível de informalidade nas
relações, o que cria um agradável e favorável ambiente de trabalho.
Quais as funções de um presidente em uma empresa
desse porte?
Maertens – No aspecto geral, minhas principais funções são
estabelecer a visão estratégica da empresa, garantir a boa implementação
dela (considerando e respeitando a cultura corporativa), incluindo a responsabilidade
final dos resultados financeiros, isto é, faturamento e lucro. Num âmbito
mais específico são de minha responsabilidade: aumentar a produtividade,
introduzir programas de excelência em marketing & vendas e
aumentar a participação nos segmentos de contracepção e psiquiatria por
meio de lançamentos de novos produtos. Para tanto, estão envolvidas as
áreas de manufatura, marketing & vendas, finanças e recursos
humanos.
O aprendizado de línguas é essencial para um
profissional do seu nível? Em termos de performance profissional, qual
a relevância do conhecimento de línguas e da compreensão das diferenças
culturais? Pode-se dizer que é um recurso facilitador na eficácia da comunicação?
Maertens – Os motivos que me levaram a aprender o idioma nos diversos
países em que trabalhei são profissionais e pessoais. Por parte da empresa,
não é obrigatório falar a língua do país em que se está trabalhando, embora
eu tenha a plena convicção de que o idioma local melhora consideravelmente
a eficácia da comunicação dentro da própria empresa, além de facilitar
a aproximação e os contatos com os clientes, fornecedores, representantes
e parceiros. Ao mesmo tempo, tenho motivos pessoais como o gosto pelo
aprendizado de línguas e também a certeza de ser a única maneira de realmente
entender e se integrar à cultura de um país e de seu povo, como neste
caso, o Brasil. À parte disso, a alternativa seria viver numa ilha isolada,
como expatriado, relacionando-me somente com outros estrangeiros que aqui
vivem desse modo. Ao meu ver, seria uma oportunidade perdida de enriquecer
minha vida e a de minha família. Por esta razão, tento fazer amizade com
brasileiros, mais até do que com compatriotas, que já encontro normalmente
de todo jeito. Uma outra razão para se aprender a língua local é a vantagem
(ou podemos chamar de efeito colateral) de aumentar seu próprio valor
agregado no mercado profissional. É mais um diferencial. Aprender o primeiro
idioma estrangeiro é, provavelmente, mais difícil. Aprender outros pode
ser mais fácil por causa das similaridades entre algumas línguas, por
exemplo, francês e português. Além disso, quanto mais idiomas conhecemos,
maior o nosso referencial para buscar associações entre eles. Há também
uma maior receptividade para os próximos aprendizados, pois se tornam
mais naturais o medo e a vergonha de cometer erros, e mais fácil combatê-los,
uma vez que o aluno já passou por isso antes.
Comente um pouco sobre os idiomas que já aprendeu,
as diferenças culturais e as expectativas em relação ao Brasil e ao seu
idioma.
Maertens – Nos diversos países em que estive a trabalho, me deparei
com diferentes dificuldades culturais. Na França, por exemplo, o modo
centralizado e hierárquico de se trabalhar e a cultura fechada e restrita
à família estendida, formada pela família direta e pelos amigos mais íntimos
e antigos, torna muito difícil de se estabelecer um relacionamento social.
É preciso muito tempo para isso. Já na Rússia, a dificuldade foi viver
e trabalhar num país com mais de 70 anos de comunismo (cheguei lá imediatamente
após sua queda). Nessa época, o povo não conhecia conceitos como colaborar,
agregar valores etc. A piada clássica era: nós fingimos trabalhar e o
governo finge pagar nossos salários. Foi um grande desafio estabelecer
uma empresa moderna e eficaz num ambiente de pessoas sem uma educação
ocidental, em que a palavra marketing não existia, muito menos
o seu conceito. Em Taiwan, a dificuldade foi compreender a cultura de
símbolos que é a cultura chinesa, muito formal, subjetiva e indireta.
Não é comum se usar as palavras sim ou não, para evitar confrontos ou
situações delicadas. São palavras muito diretas e assertivas para uma
cultura que preza a retidão de olhar, a impassibilidade de gestos e expressões
faciais. Tudo para evitar o "loss of face". Portanto, não é
realmente fácil entender o que as pessoas acham ou pensam. Como no Oriente
Médio há mais de 20 países, obviamente não se tem uma única cultura nessa
região. A Arábia Saudita preserva uma cultura muito conservadora. Já na
parte cristã do Líbano, a cultura é bem mais liberal.
Você precisa conhecer, se adaptar e até mesmo tomar cuidado com essas
diferenças culturais quando viaja constantemente. Por exemplo, no Irã,
não se pode apertar as mãos de mulheres vestidas com roupas tradicionais
e com os rostos cobertos. Mas, se no dia seguinte você estiver no Líbano,
prepare-se pois as mulheres modernas esperam um beijo de você. Quanto
ao Brasil é quase certo não encontrar dificuldades com um povo tão hospitaleiro.
Talvez o foco no hoje, o imediatismo, possa ser considerado como uma certa
imaturidade. Às vezes faltam visão e planejamento a longo prazo, principalmente
na hora da tomada de decisões. Deve-se tomar decisões definitivas e não
somente provisórias ou paliativas. A respeito de minhas expectativas em
relação à língua portuguesa, preciso admitir que o meu padrão foi bastante
alto. Meu objetivo era falar fluentemente e facilmente em um ano, como
se deu com o francês, o que não aconteceu. Tornou-se um sonho, pois descobri
que é uma língua mais complicada do que aquela falada em Paris. Embora
não esteja dominando completamente a língua brasileira, já consigo me
sair muito bem e entender praticamente tudo na minha vida diária. No final
das contas, até que não foi tão ruim. O último e maior desafio é conseguir
entender as músicas brasileiras de ritmo mais acelerado.
Em relação às línguas que fala, qual a mais
complexa?
Maertens – O idioma que considero mais fácil, e o mais utilizado
internacionalmente, é o inglês. O alemão também acho fácil, porém não
é tão utilizado. O de que mais gosto, pessoalmente, é o francês, embora
não seja tão fácil. Já o russo, na minha opinião, é o mais difícil dentre
os que conheço. Em segundo lugar, no quesito dificuldade, está o português
– esta charmosa, porém complicada língua.