| Carreiras |
Não é somente no setor privado que encontramos oportunidades para o profissional de Comércio Exterior. Com o processo de globalização da economia e a intensificação das relações comerciais internacionais, os estados nacionais tiveram que aprimorar sua capacidade de negociação e controle de seu comércio com o mundo. Com isso, além da tradicional carreira de Diplomata, novos servidores públicos foram incorporados às estruturas administrativas de diversas nações. No Brasil, não foi diferente. A carreira de Diplomata já existe há cerca de um século, enquanto a de Auditor Fiscal da Receita Federal Especializado em Aduana ganhou destaque no início da década de 1990 com a abertura comercial promovida pelo governo Collor. No final daquela década, foi criado o cargo de Analista de Comércio Exterior no âmbito da Administração Federal, principal objeto deste artigo. A estrutura das três carreiras acompanha as estabelecidas para as classes e padrões da Tabela de Vencimento dos servidores públicos civis da União, estabelecida no Anexo II da Lei nº 8.460, de 17/09/92, e alterações posteriores. O ingresso nos cargos dar-se-á na Classe D - Padrão I. Analista de Comércio Exterior Os candidatos a Analistas de Comércio Exterior, após aprovação na etapa final do processo seletivo do Curso de Formação, serão distribuídos nos seguintes órgãos:
Obs.: Os ocupantes de cargos da carreira de Analista de Comércio Exterior distribuídos para o MDIC poderão ser alocados na Camex – Câmara de Comércio Exterior, ou, por tempo determinado, para a realização de outras atividades consideradas estratégicas e relacionadas ao comércio exterior, expressamente definidas pelo MDIC. Os Analistas de Comércio Exterior ascendem na carreira em conformidade com a avaliação conseguida na GDE e GDA, que são calculadas pela multiplicação dos seguintes fatores:
§ 1º O resultado da avaliação de desempenho poderá atingir no máximo 2.238 pontos por servidor, divididos em duas parcelas de 1.119 pontos, uma referente ao desempenho individual do servidor e outra referente ao desempenho institucional do órgão ou entidade respectivos referidos no art. 1º. § 2º O percentual para as carreiras de que tratam os incisos I e II do art. 1º é de 0,1820%. § 3º O percentual para a carreira de que trata o inciso III do art. 1º é de 0,0936%. Obs.: A GDE e a GDA serão calculadas com base em 75% do limite máximo de pontos fixados para a avaliação de desempenho nos dois primeiros períodos de avaliação após a nomeação. O profissional deve possuir qualquer curso de graduação (3º grau) de universidade ou instituição reconhecida pelo MEC. Todavia, é um concurso com particularidade específica, onde formados sem experiência em Comércio Exterior e/ou Relações Econômicas Internacionais têm menos chances de aprovação se não dispuserem de um tempo mínimo de preparo intelectual. Outras características estão presentes no processo seletivo para Analista de Comércio Exterior. Esse certame é um dos que contém uma grade mais elástica entre todos os concursos públicos e que cobram matérias cursadas exclusivamente em faculdades correlatas às disciplinas supramencionadas. É o exemplo do Direito Internacional Público. Mesmo sendo pequeno o número de questões presente nas seleções, é muito difícil acertá-las sem um preparo teórico compatível. Desde a criação do cargo, o governo alterna a escolha do órgão contratado responsável pela aplicação do concurso, entre UnB/Cesp e Escola Superior de Administração Fazendária. Isso é fundamental, por sinalizar o perfil profissional desejado. Sem prejuízo do conteúdo programático definido pelo contratante do processo seletivo, a UnB confere maior ênfase nas matérias mais teóricas ou ligadas ao campo das correntes e das idéias, requerendo maior preparo na resolução das questões relacionadas à disciplina Relações Econômicas Internacionais (matéria enquadrada como "Conhecimento Específico" e de peso 3). Por sua vez, a Esaf segue tradicionalmente uma escola mais pragmática, com maior atenção aos tópicos administrativos-operacionais (matéria correlacionada à disciplina "Comércio Exterior", também enquadrada como "Conhecimento Específico" e de peso 3). Isso é natural, haja vista ser a Esaf a formadora dos auditores fiscais, com forte parcela de influência nas duas disciplinas tidas como de "Conhecimento Específico". Essa metodologia se reflete pelas disciplinas de peso 2. Por isso é importante ao candidato ter ciência de que a Esaf tem forte tradição de exigir bastante no pouco tempo de que dispõe o candidato para responder as disciplinas Contabilidade Geral e Contabilidade de Custos. A UnB/Cesp chegou a divulgar e exigir em concursos retrasados, na disciplina Economia, conteúdo programático dessa matéria com tópicos de graduação e de mestrado, o que dificulta a obtenção da nota mínima fixada no processo seletivo e mostra a importância de se estudar o conteúdo pormenorizado de cada disciplina, que pode requerer reforço disciplinar à parte. A crescente dificuldade dos concursos da espécie pode ser medida pelo aumento do ponto de corte acima do nível mínimo para lograr aprovação. A estratégia de aprovação demanda um planejamento mínimo de 1 ano, em que são trabalhadas as vulnerabilidades de cada candidato. Para finalizar, registramos que a Esaf não costuma divulgar suas questões utilizadas em concursos, o que dificulta mais a análise do tipo de prova aplicada em concursos anteriores. Nas suas resoluções, aceita-se apenas uma resposta correta entre 5 quesitos. O acesso às provas da UnB/Cesp coopera para a compreensão da metodologia e o esquema de pontuação premia cada um dos 5 quesitos de uma pergunta, o que acaba favorecendo a obtenção de uma nota mais justa. A importância do conhecimento de idioma é vista pela presença das Línguas Inglesa, Espanhola e Portuguesa no cotidiano do exercício profissional do Analista. A Universidade destaca o conhecimento lingüístico a partir da análise de interpretação de texto na disciplina Língua Portuguesa. É essencial não perder o foco no resultado macroeconômico. Independentemente do local onde desempenhará suas funções, caberá ao Analista de Comércio Exterior contribuir para que o país pratique uma política ativa e eficaz de Comércio Exterior. No cotidiano, caberá a esse profissional examinar processos e formular soluções adequadas dentro de sua área de atuação. Por exemplo, caso seja destinado ao MDIC/Decom, aprofundará seus conhecimentos de defesa comercial e participará ativamente do acompanhamento de casos concretos, com subsídios a outros atores envolvidos. As funções demandarão a criatividade e inovação necessárias para fazer com que o Comércio Exterior do país cresça e passe a ocupar uma posição compatível com o PIB brasileiro. Não é só no âmbito do Governo Federal que há oportunidades para o profissional de Comércio Exterior. Organismos Internacionais como a ONU, UNCTAD e a OMC também realizam seleções para essas funções e exigem o domínio de idiomas estrangeiros. Vários estados brasileiros criaram departamentos ou mesmo secretarias de assuntos internacionais e/ou de Comércio Exterior, abrindo novas frentes de carreira profissional.
Igor
Gonçalves Torres é Administrador pela Universidade
Federal de Minas Gerais, Mestre em Relações
Internacionais pela Universidade de Brasília e Doutorando
em História das Idéias pela mesma universidade. É
professor em diversas faculdades em Brasília, coordenador
e diretor de cursos no Instituto de Educação Monte
Horebe. É autor do livro Comércio
Internacional no Século XXI e co-autor do Livro Comércio
Internacional para cursos e concursos.
Ivan Pedro
Braga Filho é Administrador, com habilitação em
Comércio Exterior, pela Uneb - União Educacional de
Brasília, instrutor de cursos de Comércio Exterior e
co-autor do Livro Comércio
Internacional para cursos e concursos.
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