A
singular trajetória de Ivan Ramalho
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Sílvia
Garcia, de São Paulo
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Uma
oportunidade na carreira pública é o sonho de
muitos profissionais, especialmente daqueles que
atuam em funções relacionadas ao Comércio
Exterior brasileiro.
Os
meandros de cada carreira dependem muito do setor
de atuação, mas o acesso a elas sempre se dá
via concurso.
Em
entrevista exclusiva ao EstudeComex,
o secretário do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho,
conta um pouco de seus vinte e sete anos de
serviços prestados ao governo brasileiro, explana
sobre suas funções e assinala os grandes
desafios que vivenciou ao longo do tempo.
Nessa
entrevista, o secretário trata das perspectivas
para os profissionais que ingressam na área, faz
indicações sobre o perfil adequado e dá alguns
conselhos aos estudantes que aspiram a ingressar
na carreira pública.
Ramalho elegeu como
um dos mais importantes momentos de sua carreira a
implantação do Siscomex nos anos 90, que, em sua
opinião, facilitou de maneira extraordinária o
processamento das operações de comércio
exterior. |

Ivan
Ramalho, secretário do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
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EstudeComex
– Há quantos anos exerce funções ligadas ao comércio
exterior e como ingressou na carreira?
Ivan Ramalho – Exerço funções ligadas ao
comércio exterior há 27 anos, desde quando fui
transferido para a extinta Cacex – Carteira de Comércio
Exterior, do Banco do Brasil, em 1976.
Pode
nos contar como foi sua trajetória, formação e os
principais desafios que enfrentou ao longo dos anos?
Ramalho – Trabalhando na Cacex, exerci várias
funções, dentre as quais assessoramento técnico, chefe
da Divisão de Normas e também chefe do Demeq –
Departamento de Máquinas e Equipamentos. Após a
extinção da Cacex, fui cedido ao governo federal e
exerci várias funções, dentre as quais destaco a
coordenação técnica do Grupo Técnico criado pelo
governo federal para o desenvolvimento e implantação do
Siscomex. Também ocupei o cargo de diretor do Decex e fui
secretário-adjunto da Secex até o final de 2002.
Um dos
principais desafios que enfrentei ao longo da minha
carreira foi a coordenação técnica do Siscomex, em 1992
e 1993, quando implantamos o Siscomex Exportação.
Tratava-se de projeto inteiramente novo, que deveria mudar
todo o sistema operacional do comércio exterior e que
exigia a participação e empenho de funcionários de
diversos órgãos do governo federal, dentre os quais a
própria Secex, a Receita Federal, o Banco Central, o
Serpro e o Banco do Brasil. Felizmente, conseguimos reunir
uma equipe de alto nível e o Siscomex é hoje uma
realidade que facilita de maneira extraordinária o
processamento das operações de comércio exterior e
também permite a obtenção de estatísticas tempestivas
sobre o comércio exterior brasileiro.
Na
sua opinião, o que considera fundamental ao perfil de um
profissional desse segmento?
Ramalho – O profissional da área de comércio
exterior deve apreciar a inovação. O desempenho das
exportações brasileiras no ano de 2003 está vinculado
à diversificação: diversificação de mercados de
destino, novos produtos, diversificação da
participação dos Estados. Os maiores crescimentos da
exportação brasileira em 2003 ocorreram nas vendas
destinadas a mercados não tradicionais.
Quais as perspectivas que se desenham no País para os profissionais que ingressam nesse mercado? Há um futuro promissor acenando para eles?
Ramalho – As perspectivas para profissionais que estão ingressando no comércio exterior são excelentes. O Brasil está ampliando sua participação no comércio internacional neste ano, inclusive com crescimento bastante superior ao que é esperado para o comércio mundial de mercadorias. O Brasil deve encerrar o ano com crescimento de 20% das exportações, enquanto a maioria dos organismos internacionais estima que o crescimento do comércio mundial não deverá superar algo entre 3% e 4%. A ampliação da participação brasileira e o processo de diversificação de mercados são claros indicadores de que as empresas que operam no mercado internacional necessitarão de novos profissionais.
Que conselho daria a um estudante que anseie se tornar um grande profissional de comércio exterior?
Ramalho – Os estudantes que queiram trabalhar na área de comércio exterior devem estudar outros idiomas e também a cultura de outros países, principalmente daqueles que se destacam, hoje, com grande participação no comércio mundial. |
AS
PERSPECTIVAS PARA PROFISSIONAIS QUE ESTÃO
INGRESSANDO NO COMÉRCIO EXTERIOR SÃO EXCELENTES.
A AMPLIAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA E O
PROCESSO DE DIVERSIFICAÇÃO DE MERCADOS SÃO CLAROS
INDICADORES DE QUE AS EMPRESAS QUE OPERAM NO MERCADO
INTERNACIONAL NECESSITARÃO DE NOVOS PROFISSIONAIS. |
Dentro
da nova política brasileira de incentivo ao comércio
exterior, surgem diversas funções nos escalões do
governo voltadas para a atividade. Quais os caminhos, como
devem se preparar e quais as principais qualificações
para ocupação de postos no governo?
Ramalho – Vários ministérios e órgãos
governamentais desempenham atividades relevantes na área
de comércio exterior. No campo das negociações
internacionais, destaca-se a carreira diplomática, no
Ministério das Relações Exteriores. No Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a Secex
tem o Departamento de Negociações Internacionais, para o
qual o acesso se dá por meio de concurso público para a
carreira de analista de comércio exterior. É essa
carreira de ACE que também fornece quadros, atualmente,
para os demais departamentos da Secex: Decex –
Departamento de Operações de Comércio Exterior, Decom
– Departamento de Defesa Comercial, e Depla –
Departamento de Planejamento. Também a
Secretaria-Executiva da Camex – Câmara de Comércio
Exterior, conta com profissionais dessa carreira.
O
que considera essencial à formação desse indivíduo?
Ramalho – É importante registrar que outros
ministérios também contam com órgãos voltados para a
área de relações internacionais, como as Secretarias da
Receita Federal e de Assuntos Internacionais, ambas do
Ministério da Fazenda. Outros ministérios possuem
Assessorias Internacionais que também atuam até mesmo em
negociações internacionais relativas a temas vinculados
às suas respectivas áreas. Bancos federais, como o BNDES
e o Banco do Brasil, também são extremamente atuantes no
financiamento do comércio exterior. O Banco Central do
Brasil, por sua vez, é o órgão responsável pelo
controle cambial, de grande importância para o comércio
exterior. Portanto, também são grandes as oportunidades
para profissionais da área de comércio exterior no
governo federal, que podem se preparar por meio de cursos
já tradicionais, como Ciências Econômicas, por exemplo,
ou novas carreiras mais especificamente voltadas para essa
área, como Relações Internacionais.
Atualmente,
quais as áreas que oferecem as melhores oportunidades de
trabalho?
Ramalho – Atualmente, as áreas que oferecem as
melhores oportunidades de trabalho são aquelas vinculadas
à produção e exportação de produtos manufaturados. Os
manufaturados respondem, hoje, pela maior parte da pauta
brasileira de exportação, cerca de 54% do total, e
possuem perspectivas extraordinárias de crescimento.
Na
sua opinião, qual é o ápice de uma profissão? Qual é
o mais importante sonho que esse profissional deve sempre
alimentar?
Ramalho – Acredito que os profissionais dessa
área devam buscar sempre a ampliação da participação
brasileira no comércio internacional.
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